Ceratocisto odontogênico ou tumor odontogênico queratocístico?

Autor:

Prof. Ricardo Santiago Gomez     e-mail: rsgomez@ufmg.br

 

O termo ceratocisto odontogênico foi incialmente utilizado por Philipsen, em 1956, para definir uma lesão com características histopatológicas bastante distintas. Desde então, diversas publicações demonstraram um comportamento biológico diferente do ceratocisto em comparação com outras lesões odontogênicas císticas, como o cisto radicular. O índice de recidiva elevado associado a capacidade destrutiva desta lesão levaram alguns autores a proporem o conceito de neoplasia benigna para esta lesão.  Expressão aumentada de proteínas relacionadas ao ciclo celular, mutações genéticas no gene PTCH, além de perdas alélicas em alguns genes supressores de tumor foram algumas das alterações encontradas e serviram de suporte para esta teoria. Este fato levou a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2005, a colocar o ceratocisto odontogênico no grupo das neoplasias odontogênicas benignas. Além desta mudança, o termo "ceratocisto odontogênico" foi substituído por "tumor odontogênico queratocístico". Esta mudança foi incorporada por alguns autores naquele período, mas foi não aceita por todos. Mais recentemente, a OMS (2017) publicou outro livro texto retornando o uso do termo original, ceratocisto odontogênico, e colocando-o novament entre os cistos odontogênicos.

Leitura Complementar:

1- Gomes CC, Diniz MG, Gomez RS. Review of the molecular pathogenesis of the odontogenic keratocyst. Oral Oncology 2009;45:1011-1014.

2- Li T-J. The odontogenic keratocyst: A cyst, or a cystic neoplasm? J Dent Res 2011;90:133-142.