01/05/2012 20:22

Yang S, Tsai C, Lee Y, Chen T. Treatmet Outcome of Dysplastic Oral Leukoplakia with Carbon Dioxide Laser-Emphasis on the Factors Affecting Recurrence. J Oral Maxillofac Surg 2011;69:e78-87.

Neste estudo os autores avaliaram dados clinico-patológicos e a presença do vírus HPV em pacientes com leucoplasias orais que receberam tratamento cirúrgico com laser. Na análise univariada foi observada tendência para recorrência nos pacientes que não abandonaram o fumo ou o hábito de mascar betel, presença de lesões múltiplas, leucoplasias não homogêneas ou com alto grau de displasia. Na análise de regressão logística multivariada apenas a persistência do fumo/hábito de mascar o tabaco e a presença de lesões múltiplas foram fatores de prognóstico independentes.

Na minha opinião existe uma limitação nos estudos como esse e envolve a dificuldade na definição do que seja recorrência. Recidivas seriam apenas as lesões que aparecem no mesmo local da lesão primária removida? A leucoplasia que aparece no mesmo local teria o mesmo perfil de alterações genéticas da lesão primária? Apesar dessa limitação conceitual, os autores notaram que leucoplasias múltiplas estão relacionadas com recorrência. Este dado pode ser explicado pela teoria do campo de cancerização. Pacientes com lesões múltiplas devem possivelmente apresentar maior extensão do campo de alterações genéticas do que aqueles com lesões únicas. Portanto, a excisão de uma das lesões deixaria uma faixa de mucosa “geneticamente” alterada que poderia originar nova lesão ou sofrer transformação maligna. É impraticável a remoção de toda a mucosa alterada “geneticamente” em razão da extensão do campo alterado. Além disso, somente com a aplicação de métodos moleculares poderíamos diferenciar a mucosa clinicamente normal, mas exibindo alguma alteração genética, daquela verdadeiramente normal (sem alteração genética ou epigenética).

Um dado encontrado por estes autores e que confirma trabalhos prévios é que a continuidade do fumo/hábito de mascar tabaco teve forte relação com a recorrência. Desta maneira, podemos dizer que a eliminação desse hábito representa o fator mais importante na prevenção da recorrência. Durante a abordagem de um paciente com leucoplasia oral eu costumo dizer que a atitude do indivíduo, revelada pelo abandono do fumo, representa o passo mais importante no seu tratamento.

Como este trabalho não é um ensaio clínico randomizado, não é possível analisar o efeito da cirurgia a laser sobre a prevenção de recorrências. Entretanto, estudos prévios mostram que a remoção cirúrgica da leucoplasia, embora afete de alguma forma o índice de transformação maligna, não previne efetivamente essa transformação. No estudo citado acima, mesmo com a remoção cirúrgica com laser, 11.4% dos pacientes tiveram evolução para carcinoma de células escamosas de boca. Embora a remoção cirúrgica não elimine a possibilidade de recidiva ou transformação maligna da leucoplasia, ela permite o diagnóstico precoce de carcinoma. Voltarei a este tema novamente em futuras publicações.

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Prof. Ricardo Santiago Gomez
- Professor Titular da Disciplina de Patologia Bucal da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Minas Gerais.
- Coordenador do Laboratório de Patologia Molecular da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Minas Gerais.

Orientador no Programa de Pós-Graduação em Medicina Molecular da UFMG

Orientador no  Programa de Pós-Graduação em Odontologia da UFMG

Link para o Currículo Lattes:

https://lattes.cnpq.br/5760422122697584

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