06/05/2012 23:17

Ferreti C & Muthray E. Management of central giant cell granuloma of mandible using intralesional corticosteroids: Case report and review of the literature. J Oral Maxillofac Surg 2011;69:2824-2829.

Os autores relatam um caso de lesão central de células gigantes que mostrou boa resposta com a administração intralesional de corticosteroides em um paciente do sexo feminino de 16 anos de idade. Os autores aplicaram 6ml de uma solução contendo anestésico local e acetato de triancinolona (40 mg/5 ml diluído para 5 mg/ml). Duas semanas após a primeira aplicação, nova infiltração foi realizada. Duas semanas após, resistência para a introdução da agulha foi notada e a terceira aplicação não foi possível de ser realizada. O exame radiográfico em diferentes tempos mostrou ossificação completa da região, com resolução da expansão lingual.
Embora a natureza proliferativa ou neoplásica da lesão central de células gigantes não esteja definida, é interessante notar a boa resposta com o uso de corticoides em muitos casos. Acompanhando alguns pacientes submetidos a esse tratamento, tenho notado que esta resposta pode ocorrer em um intervalo variável de tempo, com variações no número de aplicações necessárias. Em algumas situações a regressão da lesão ocorre após poucas aplicações, enquanto que em outras, 10 ou mais sessões são necessárias para que uma resposta satisfatória seja observada. Além disso, resolução da expansão cortical nem sempre é notada. Embora o mecanismo de ação do medicamento ainda não seja conhecido, na minha opinião, esta abordagem pode ser utilizada principalmente nos casos de lesões extensas, evitando-se a morbidade provocada por procedimentos cirúrgicos mais agressivos. Devemos ressaltar que o clínico deve estar atento aos procedimentos de diagnóstico antes do uso dessa terapia. Desta forma, a biópsia incisional e os exames laboratoriais (dosagem sérica de paratormônio, cálcio e fósforo) são necessários para o diagnóstico. Alterações nos exames laboratoriais podem levantar a suspeita de tumor marrom do hiperparatireiodismo. Não sabemos qual o efeito dos corticoides em lesões histologicamente similares às lesões centrais de células gigantes, como o querubismo e o tumor marrom do hiperparatireoidismo.

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Prof. Ricardo Santiago Gomez
- Professor Titular da Disciplina de Patologia Bucal da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Minas Gerais.
- Coordenador do Laboratório de Patologia Molecular da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Minas Gerais.

Orientador no Programa de Pós-Graduação em Medicina Molecular da UFMG

Orientador no  Programa de Pós-Graduação em Odontologia da UFMG

Link para o Currículo Lattes:

https://lattes.cnpq.br/5760422122697584

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