Linfomas de Boca

Autores:

Dra. Giovanna Ribeiro Souto – grsouto@hotmail.com

Prof. Ricardo Alves Mesquita – ramesquita@ufmg.br

Figura- Coloração de hematoxilina e eosina (2A) e marcação imunohístoquimica para CD20 (2B) em um linfoma difuso de grandes células B.

 

Histopatologia

Os linfomas apresentam uma diversidade histopatológica grande, o que é responsável pela grande quantidade de tipos histológicos existentes e a necessidade de outros exames (imunoistoquímica ou biologia molecular) para a definição do diagnóstico. Apesar da diversidade histopatológica, a característica marcante e frequente nos linfomas é o isomorfismo das células neoplásicas. No entanto, apesar do isomorfismo estar presente na grande maioria dos tipos histopatológicos de linfomas, existem algumas neoplasias que são caracterizadas por pleomorfismo celular, como é o caso do linfoma MALT. As células neoplásicas apresentam-se semelhantes aos linfócitos, com núcleo arredondado e citoplasma escasso. Existe uma variação no tamanho dos núcleos das células, que podem ser categorizados como células de tamanho pequeno ou grande. Neoplasias de células pequenas tem o núcleo do tamanho de um linfócito e as de grandes células tem o núcleo duas ou mais vezes o tamanho do linfócito. O LDGCB, que representa o tipo de LNH mais comum em boca e em outras regiões do corpo, é composto pela proliferação de células grandes representadas por núcleo com cromatina frouxa, com um (imunoblastos) ou mais (centroblastos) nucléolos evidentes e com citoplasma escasso. Figuras de mitoses são frequentes. As células tem uma disposição em lençol e padrão de crescimento sólido e difuso. O estroma da neoplasia é muito escasso e representado por tecido conjuntivo frouxo e vascularizado (Figura 2A).

Imunohístoquímica

A imunohistoquímica tem um papel importante no diagnóstico de várias doenças, incluindo os linfomas, no qual é responsável pela fenotipagem. Nos linfomas a imunohistoquímica fornece dados para separar as neoplasias em fenótipo de células B ou de células T/NK. Também, utilizando-se desta técnica, é possível dentro de cada grupo de neoplasias (células B ou T/NK) realizar a categorização nos mais diversos subtipos de linfomas já descritos. O LDGCB sempre é positivo para o CD20, um marcador de fenótipo de células B (Figura 2B). Além da aplicação no diagnóstico, em alguns casos os marcadores imunoistoquímicos podem ser utilizados para guiar a escolha do tratamento.

 

Ver informações clínicas

 

Leitura complementar:

1- Triantafillidou K, Dimitrakopoulos J, Iordanidis F, Gkagkalis A. Extranodal Non-Hodgkin Lymphomas of the Oral Cavity and Maxillofacial Region: A Clinical Study of 58 Cases and Review of the Literature. J Oral Maxillofac Surg. 2012 Apr 9.

2- Balague Ponz O, Ott G, Hasserjian RP, Elenitoba-Johnson KS, de Leval L, de Jong D. Commentary on the WHO classification of tumors of lymphoid tissues (2008): aggressive B-cell lymphomas. J Hematop. 2009 Jun 16.

3- Ott G, Balague-Ponz O, de Leval L, de Jong D, Hasserjian RP, Elenitoba-Johnson KS. Commentary on the WHO classification of tumors of lymphoid tissues (2008): indolent B cell lymphomas. J Hematop. 2009 Jun 25. 
4- van der Waal RI, Huijgens PC, van der Valk P, van der Waal I. Characteristics of 40 primary extranodal non-Hodgkin lymphomas of the oral cavity in perspective of the new WHO classification and the International Prognostic Index. Int J Oral Maxillofac Surg. 2005 Jun;34(4):391-395.