Leucoplasia

Leucoplasia é um termo utilizado para definir as lesões que se apresentam como uma placa predominantemente branca, com risco de transformação maligna. Seu diagnóstico é feito após a exclusão de outras alterações patológicas, como líquen plano, candidíase, reação liquenoide etc. Para isso, faz-se necessária a realização da biópsia da lesão, visando excluir a possibilidade de carcinoma de células escamosas. A leucoplasia ocorre principalmente em fumantes adultos, sendo classificada como homogênea e não homogênea. Enquanto a primeira apresenta placas uniformemente brancas, planas e finas (Figura 1), na variante não homogênea observam-se áreas eritematosas, salpicadas, nodulares ou verrucosas (Figura 2). A leucoplasia verrucosa proliferativa é um subtipo caracterizado pela presença de lesões múltiplas, resistentes ao tratamento e com elevado índice de transformação maligna. 

Microscopicamente, nas leucoplasias encontramos revestimento epitelial hiperqueratinizado, podendo conter áreas de displasia. Essas são caracterizadas pela presença de alterações arquiteturais, como estratificação epitelial irregular, perda da polarização basal, cristas epiteliais em gota, keratinização prematura de células (disqueratose) e perda de coesão celular. Além disso, células com núcleos hipercromáticos, figuras de mitose atípicas, variação no formato das células e dos núcleos (pleomorfismo celular e nuclear), aumento da relação núcleo/citoplasma, variação no tamanho dos núcleos (anisonucleose) ou do tamanho das células (anisocitose), nucléolos aumentados e proeminentes, representam alterações citológicas importantes e são utilizadas para a graduação do nível de displasia. Conforme a intensidade e a abrangência dessas alterações nas diferentes camadas do epitélio, a lesão é classificada como leve, moderada ou intensa. Modificações desse sistema, com a simplificação em dois níveis, tem sido proposta por alguns autores. Apesar do sistema binário apresentar maior concordância entre examinadores, não existem dados que mostram que ele apresenta vantagens na predição de qual lesão irá sofrer transformação maligna.

Embora não haja marcadores que evidenciem quais lesões sofrerão transformação maligna, ou quando isto ocorrerá, a presença de displasia e do aspecto clínico não homogêneo são os principais fatores relacionados à malignização das lesões. O real impacto da remoção cirúrgica da leucoplasia sobre a prevenção do carcinoma de boca não foi estabelecido ainda, mas resultados conflitantes são encontrados na literatura. A remoção da lesão faz-se necessária para a exclusão desse diagnóstico. Além disso, o carcinoma pode se desenvolver em áreas sem a presença prévia de uma leucoplasia. Alterações genéticas e epigenéticas diversas são encontradas na lesão e podem se estender para a mucosa clinicamente "normal" adjacente à mesma. Existem trabalhos que mostram que  lesões de aparência liquenoide ou semelhante ao líquen plano, podem evoluir para a leucoplasia verrucosa proliferativa. A mudança na aparência clínica dessas lesões ao longo do tempo reforça a necessidade de acompanhamento de todos os pacientes, independente do tratamento instituído.

leucoplasia

Figura 1- Imagem clínica da leucoplasia homogênea na borda lateral de língua.

 

Figura 2: Imagem clínica de leucoplasia heterogênea de aparência nodular.
 

Veja também o texto sobre:

Perda de heterozigosidade e leucoplasias

Veja o artigo sobre o tratamento cirúrgico das leucoplasias

 

Leitura complementar:

1- Arduino PG, Bagan J, El-Naggar AK, Carrozzo. Urban lends series: oral leukoplakia. Oral Dis 2013;19:642-659.

2- Van der Wall I. Potentially malignant disorders of the oral and oropharyngeal mucosa; present concepts of management. Oral Oncol 2010;46:423-425. 

3- Müller S. Oral epithelial dysplasia, atypical verrucous lesions and oral potentially malignant disorders: focus on histopathology. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol 2018;125:591-602.

4-McParland H & Warnakulasuriya S. Lichenoid morphology could be an early feature of oral proliferativa verrucous leukoplakia. J Oral Pathol Med 2020;50:229-235.