Ameloblastoma

O ameloblatoma é um tumor odontogênico epitelial benigno, que pode ter origem nos remanescentes da lâmina dentária. Estudos apontam a presença de alterações genéticas nestas lesões, incluindo mutação no gene BRAF (BRAFV600E). Existem três variantes clínicas da doença: 1) convencional/multicística, 2) unicística/encapsulada e 3) periférica. Do ponto de vista clínico, radiográfico e histopatológico, essa classificação tem importante papel na fase de tratamento, visto que o comportamento biológico destas variantes é distinto.

Ameloblastoma convencional/multicístico

ameloblastoma

Imagem radiolúcida muitlocular.

Esta é a variante clínica mais comum de ameloblastoma, reconhecida também como a mais infiltrativa. Ocorre, principalmente, na região posterior da mandíbula de pacientes adultos, levando a tumefação e ao aumento de volume na área. Radiograficamente, tais lesões apresentam imagem radiolúcida uni ou multilocular, com limites bem definidos. Quando multiloculada, essa imagem pode assemelhar-se a “favos de mel” (pequenos lóculos) ou “bolhas de sabão” (grandes lóculos). Apesar de ser benigno e não metastático, o tipo convencional/multicístico pode comportar-se como alguns tumores malignos de baixo grau. Sua alta capacidade de infiltração no espaço intertrabecular, formando ilhotas ou lençóis do tumor a uma distância de 5 mm da massa tumoral, exige procedimento cirúrgico radical. A remoção cirúrgica da lesão deve apresentar margem de segurança (de pelo menos 1 cm), salvo nos casos de envolvimento do osso cortical, haja vista que este osso está menos sujeito a infiltração do tumor quando comparado com o osso esponjoso. Em caso de recidivas, destaca-se o lento desenvolvimento da lesão, podendo levar até 10 anos para serem identificadas.

Ameloblastoma unicístico/encapsulado

ameloblastoma

ameloblastoma
Esta imagem foi cedida pelo Prof. Wagner Castro.

Esta variante de ameloblastoma apresenta uma cápsula. A aparente integridade da mesma somente pode ser confirmada após o exame histopatológico.

 

O ameloblastoma unicístico é caracterizado pela presença de cápsula, com localização, prioritária, na região posterior da mandíbula. A imagem observada é radiolúcida unilocular e bem delimitada. Tradicionalmente, esta variante acomete pacientes mais jovens, afetando principalmente indivíduos da segunda e terceira décadas de vida. Alguns autores postulam que a presença radiográfica de imagem multilocular sugere a transformação da variante unicística para o tipo convencional/multicístico. Embora a primeira variante não seja uma etapa obrigatória no desenvolvimento da segunda, quando não tratada, a lesão unicística tende a agravar e evoluir para o tipo mais infiltrativo do tumor. Quando as lesões estão encapsuladas, a enucleação com ostectomia periférica se torna a terapêutica mais recomendada, salvo, nos casos em que a cápsula apresenta invasão da sua parede; pois, o tumor pode entrar em contato com o osso adjacente, passando a exibir comportamento infiltrativo da variante convencional. De fato, isso explica, às vezes, a dificuldade dos profissionais em fazer o diagnóstico preciso da lesão, sendo necessária a análise retrospectiva do quadro, acompanhada de minucioso exame da peça cirúrgica. Como as recidivas não apresentam cápsula, uma vez diagnosticadas, elas devem ser tratadas com margem de segurança similar às lesões sólidas/multicísticas/infiltrativas.

Ameloblastoma periférico

 

Esta variante ocorre externamente ao osso, e em relação aos outros tipos de ameloblastomas, é a mais rara e, geralmente, acomete pacientes mais velhos. Caracteriza-se por crescimento tecidual em mucosa gengival, cujas lesões podem ser tratadas de forma mais conservadora em razão da menor invasão do tecido ósseo subjacente.

Histopatologia

Leitura complementar:

1- Barnes L, Eveson JW, Reichart P, Sidransky D. Pathology and Genetics of Head and Neck Tumours. IARC Press:Lyon, 2005.

2- Gomes CC, Duarte AP, Diniz MG, Gomez RS. Current concepts of ameloblastoma pathogenesis. J Oral Pathol Med 2010;39:585-591.

3- Reichart PA, Philipsen HP. Odontogenic tumors and allied lesions. Quintessence: London, 2004.