Linfoma de Boca

Autores:

Dra. Giovanna Ribeiro Souto – grsouto@hotmail.com

Prof. Ricardo Alves Mesquita – ramesquita@ufmg.br

Figura- Visão clínica de um linfoma de boca, onde se verifica uma massa nodular no palato com área central de úlcera (seta).

 

Os linfomas representam o terceiro grupo mais comum de lesões malignas da cavidade bucal e região maxilofacial, seguindo as lesões de carcinoma de células escamosas e de glândulas salivares. De acordo com as características clínicas, histopalógicas e de prognóstico, os linfomas são divididos em dois grupos: linfomas Hodgkin (LH) e linfomas não-Hodgkin (LNH). Os LHs aparecem como uma lesão nodal (lesão que acomete linfonodos) e com predileção pelos nódulos do pescoço e mediastino. Por outro lado, os LNH ocorrem em regiões extra-nodais em cerca de 48% dos casos, quando a região de cabeça e pescoço é a segunda mais frequente. O prognóstico é pior para os LNH em relação aos LH porque na maioria das vezes essas lesões disseminam rapidamente, já apresentado metástases no momento do diagnóstico.

Em boca, os linfomas são LNH e acometem mais frequentemente a gengiva, palato e língua. Clinicamente, os linfomas de boca apresentam-se como massas de tecido mole, firmes e podem ser indolores ou apresentarem sintomatologia. Os linfomas de boca podem tornar-se ulcerados e assim semelhantes ao carcinoma de células escamosa de boca (Figura 1). A distinção entre os diferentes tipos histológicos é baseada na combinação de características morfológicas e imunofenotípicas, sendo o exame imunohistoquímico essencial para o correto diagnóstico. O tratamento destas lesões em boca é feita com radioterapia ou em associação com quimioterapia.

A classificação mais recente dos linfomas é proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2008. Esta classificação é baseada na combinação dos aspectos clínicos, histomorfológicos, imunofenotípicos e genéticos. Os tipos de LNH mais comuns da boca são as neoplasias de células B, principalmente linfomas difusos de grandes células B (LDGCB) e linfoma de Burkitt. Outros subtipos, originados de células T/NK, são raramente observados.

Estudos têm focado no conhecimento biológico das lesões que podem refletir mais tarde em terapias mais adequadas. Em conseqüência desses estudos, novas categorias clinicopatológicas são definidas. Na nova classificação da OMS de 2008, os LDGCB agressivos foram revisados e classificados em várias categorias. Um grande número de casos com características biologicamente heterogêneas foram definidos como LDGCB, não-especificado. Outros subgrupos foram definidos baseados nas características moleculares (células B ativadas versus células do centro germinativo) ou características imunofenotípicas (CD5+). O papel do vírus EBV também foi explorado e foi definida uma nova entidade clinicopatológica associada à idade e infecção pelo EBV: LDGCB positivo para EBV do idoso. Tornando, neste caso, importante a investigação do vírus EBV em pacientes idosos, apresentando o LDGCB e sem doenças imunossupressoras.

 

Histopatologia

 

Leitura complementar:

1- Triantafillidou K, Dimitrakopoulos J, Iordanidis F, Gkagkalis A. Extranodal Non-Hodgkin Lymphomas of the Oral Cavity and Maxillofacial Region: A Clinical Study of 58 Cases and Review of the Literature. J Oral Maxillofac Surg. 2012 Apr 9.

2- Balague Ponz O, Ott G, Hasserjian RP, Elenitoba-Johnson KS, de Leval L, de Jong D. Commentary on the WHO classification of tumors of lymphoid tissues (2008): aggressive B-cell lymphomas. J Hematop. 2009 Jun 16.

3- Ott G, Balague-Ponz O, de Leval L, de Jong D, Hasserjian RP, Elenitoba-Johnson KS. Commentary on the WHO classification of tumors of lymphoid tissues (2008): indolent B cell lymphomas. J Hematop. 2009 Jun 25. 

4- van der Waal RI, Huijgens PC, van der Valk P, van der Waal I. Characteristics of 40 primary extranodal non-Hodgkin lymphomas of the oral cavity in perspective of the new WHO classification and the International Prognostic Index. Int J Oral Maxillofac Surg. 2005 Jun;34(4):391-5.